Nosso segredo sujo não é como um diário, mas como um lugar para esclarecer mais sobre como é difícil e doloroso levar uma vida assim como nós levamos. É como um aviso às Wannabes. Ou um lugar em que você pode saber que não é a única a sentir-se assim.

sábado, 22 de maio de 2010

Onde Está?

Não importa quantos quilos elimine, você nunca será magra o suficiente porque a gordura está no seu cérebro.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Analisando a Anorexia

Trecho de uma postagem do blog www.magie-doux.blogspot.com:

"Eu acho que a anorexia é uma coisa muito interessante... anorexia vem do grego: "an", que é não e de orex, que é "apetite", mas também "desejo", então vai além do não comer: se transforma numa luta entre o "desejar" e o "precisar". Quando eu exijo de mim passar o dia sem comer nada, com o estômago roncando, na verdade, é o seguinte: eu "preciso" mas "não desejo" esse "precisar". Quando a cabeça está focada, obcecada e entretida o dia todo no paradoxo do comer / não comer, na verdade, ainda precisamos das coisas (qualquer coisa, não importa o que - pode ser comida, amor, um namorado, um corpo bonito, etc...), mas não admitimos - por isso que a anorexia tem esse poder todo, porque muda o foco do pensamento e te protege: ao invés de chorar porque ninguém nos ama, porque não temos namorado, porque não fomos bem na prova, choramos porque não pudemos "controlar" e tivemos que (precisamos) comer. Mas quando estamos naquelas crises bravas, a gente se sente poderosa: porque controlando muito e ficando sem comer (comer é necessário para viver), temos a sensação de que se não precisamos nem comer, não precisamos de nada - de nada mesmo. Por isso que acreditamos que seremos felizes quando estivermos magras o suficiente mas nunca estaremos "magras o suficiente", porque precisamos de sempre nos afastar dos outros desejos, das outras necessidades.

Não desejar é poderoso! Já pensou nisso? Por isso que muitas recusam o tratamento, porque, mesmo que inconscientemente, precisam de alguma coisa, mas negam a si mesmas o essencial pra viver - o princípio, o necessário - o resto é supérfluo - e ter esse controle é uma coisa satisfatória demais! Porém quando você se "atreve" a se tratar, você sabe que uma hora qualquer terá que reconhecer que a comida é uma necessidade física primária e de fácil acesso, mas você tem outras necessidades - e abrir mão desse poder e admitir que além de precisar comer, você precisa de mais um monte de coisas e acostumar-se a "precisar", é complicado - é admitir que você realmente perdeu a batalha. Se só estamos entretidas na nossa luta contra a comida - aquela comida que está lá disponível, mas que simplesmente não pegamos porque queremos chegar num estágio em que não precisamos e nem queremos, imagina a dificuldade ao admitir e perceber que temos outras necessidades e que satisfazê-las é mais complicado que comer, pois nada estará lá tão disponível, tão fácil...

É dolorido demais perceber suas necessidades além do ar e da água. Mas se você consegue coibir sua "necessidade" e seu "desejo" de comer, você poderá ainda mais facilmente controlar quaisquer outras necessidades e desejos."

Dismorfofobia


"Sinto que meu corpo é desproporcional ao tamanho da minha cabeça..."

18 de outubro de 2007

Vê bem se isso é possível para uma pessoa com IMC 20? 

Dismorfofobia

A dismorfofobia, também denominada transtorno dismórfico corporal ou síndrome da distorção da imagem, é um transtorno psicológico caracterizado pela preocupação obsessiva com algum defeito inexistente ou mínimo na aparência física. Esta fobia de ter um aspecto anormal é observada com mais frequência nos adolescentes, de ambos os sexos, estando relacionada com as transformações ocorridas na puberdade. Pode ocorrer também em adultos ( neste caso com mais frequencia em mulheres, embora homens também sejam acometidos)
O diagnóstico pode ser um desafio, pois na sociedade atual os sintomas são semelhantes a uma vaidade excessiva. Uso exagerado de cosméticos para disfarçar imperfeições, cuidados exagerados com os cabelos, dietas inconsequentes, bulimia, anorexia, exercícios exagerados, uso de roupas que escondem o corpo são algumas das características destes pacientes.
Sua causa é bastante discutível. Pode ser gerada por uma baixa auto-estima, pode ser decorrente de uma infância deficiente de carinho e de aprovação levando a uma auto-crítica destrutiva ( reflexo de crítica excessiva dos pais), de sentimentos de abandono, ou mesmo por causas orgânicas, agravados pela grande exibição de figuras humanas padronizadas pelos meios de comunicação.
Na sociedade atual, a forma mais frequente de dismorfofobia é em relação ao peso corporal. Pessoas com peso adequado para sua altura e faixa etária consideram-se acima do peso, submetendo-se a regimes de fome, uso de medicamentos, vômitos forçados e exercícios físicos em excesso.
Outras formas de dismorfofobia consistem em : valorização excessiva de cicatrizes e marcas mínimas e praticamente imperceptíveis ( a pessoa se sente deformada, sente que a lesão é vista por todos e que ela atrapalha sua vida, como consequencia evitando sair de casa, ou abusando de maquiagens corretivas) , procura doentia por tratamentos estéticos ( cirurgias plásticas, tratamentos de rejuvenescimento), ideação irreal de envelhecimento(uma mulher de 40 anos, por exemplo, que se considera tão enrugada e envelhecida como uma de 90).
A característica principal da dismorfofobia é que a opinião do paciente a respeito de sua própria aparência não é compartilhada pela opinião geral do meio em que vive. No entanto, o paciente não enxerga que ele é absolutamente normal, e insiste em sua ideação de inadequação física, resistente a argumentações.
Entre estes pacientes, figuram os principais responsáveis pela procura de cirurgiões plásticos e de dermatologistas para tratamentos estéticos, que acabam não ficando satisfeitos com tratamento algum ( uma vez que o problema está em sua própria auto-aceitação, e não no tratamento), e que acabam gerando uma série de denúncias infundadas contra estes profissionais, a quem acabam por culpar por não terem atingido a estética que idealizaram para si.
O tratamento é bastante difícil, pois grande parte dos pacientes não se aceita portador deste diagnóstico. A maioria justifica-se como sendo "vaidosa" e classifica-se positivamente quanto a cuidar da aparência. No entanto, para o paciente, a dismorfofobia é fonte de grande sofrimento e angústia com sua aparência própria.
O tratamento consiste em psicoterapia, longa e trabalhosa, e muitas vezes é necessário o uso de medicamentos para apoio dos sentimentos depressivos que acompanham o quadro.

Fonte: http://pt.wikipedia.org

Uma Primeira Vez

Bem, eu estou... No momento bem... Parece que nem sei o que é Ana ou Mia...
Mas acho que logo elas irão voltar... É sempre assim... Elas ficam à espreita, à espera de qualquer fraqueza, por menor que sejam, elas mostram suas faces bonitas, que ocultam a crueldade que há em seus "corações"...
Há cerca de duas semanas eu miei pela primeira vez... Depois eu miei mais algumas vezes...
Não faço isso porque acho bonito, ou porque quero ser mia, mas porque quando estou desesperada, não enxergo outra saída...



15 de outubro de 2007

Funcionou como uma droga. Provei, gostei e me viciei.
Depois da primeira vez veio a segunda, a terceira, a quarta... E agora eu já perdi as contas há muito tempo...
Hoje eu geralmente já não uso mais o termo "miar", ao menos não nos meus Blogs. Quando comento em Blogs de outras garotas, uso esse termo por puro respeito, pois algumas pessoas sentem uma certa aversão ao termo "vômitar". Eu mesma sinto certa aversão, afinal, não é algo nojento? O cheiro é ruim, o gosto é ruim, às vezes você vai respingar seu rosto, ou sua roupa. E inveriavelmente vai manchar a maquiagem que você fez com tanto cuidado para parecer menos "doente". Sem comentar que você vômita sua comida enquanto milhares de pessoas morrem de fome por não ter o que comer. Se você está no começo e pensa que nunca vai se sujar ou ter problemas com isso, ou se odiar por vômitar o que come, você está enganada. Se você nunca fez isso, prefira não experimentar.

Carta às Wannabes

O problema é que não se diz a um louco que ele tem que deixar de ser louco... Nem se diz a um aidético que ele tem que deixar de ser aidético... Estou doente e não consigo controlar as minhas compulsões, depois me sinto muito culpada por estar estragando o corpo que Deus me deu de presente por ser tão gulosa e tão impulsiva... E por dar tanta importância à comida, que é algo material... Me sinto muito culpada... E aí tento me aliviar da culpa de modo compensatório... Poxa, será que ninguém entende? Não dá para controlar... É uma doença... Não é pura vaidade, é muito mais que isto... É o medo de ser excluída da sociedade, o medo de não caber nas roupas amanhã, o medo de não parar mais de engordar, o medo de ter doenças degenerativas causadas pela obesidade e má alimentação, como a ateriosclerose... E mais que tudo... Quando como muito, como para extravasar meus sentimentos, mas depois, todos os sentimentos ruins que tenho dentro de mim, como o ódio, a culpa, o remorso, a mágoa, a tristeza, se transformam na comida... toda aquela bola de comida não é mais comida, é emoção... Sentimento ruim do qual eu preciso desesperadamente me livrar... Aí surge a ideia da liberdade... Me libertar do vício de comer...

06 de maio de 2007

Eu não quero influenciar ninguém com meus Blogs. Eu não desejo esse sofrimento a ninguém. Mesmo se eu tivesse um(a) inimigo(a), eu não desejaria isso a ele(a).
Mas eu preciso desabafar... Eu preciso escrever... É a minha catarse.
Eu não vou te dar dicas de como vômitar ou como passar mais de 24 horas sem comer.
E fazer isso não vai te fazer conseguir um namorado médico, pianista, ou ser a melhor bailarina da cidade. Nós não somos personagens de uma novela do Manoel Carlos.
Mas se você acha bonito andar por aí com mau-hálito de coisa podre por fazer jejum prolongado, ou com os cabelos respingados e fedendo a vômito... Eu não posso te impedir.

Culpa

Me sinto culpada quando como muito, me sinto culpada quando como pouco, mas simplesmente não consigo comer normalmente, porque acabo comendo muito, como se não houvesse um meio termo, como se qualquer coisinha que como a mais do que o mínimo pra sobreviver fosse me engordar, e aí vem o pensamento "Agora já foi", lá vou eu comer um boi denovo... Como se eu tivesse perdido a noção do que é comer normalmente...

05 de maio de 2007

Medo

Tenho medo de comer, medo de comer muito, medo de comer pouco, medo de não comer, medo de engordar, medo de ficar doente (mais do que já estou), medo de me sentir cheia, medo de sentir fome, medo de meu metabolismo ficar lento, medo de não emagrecer, medo de emagrecer demais, medo de nunca mais conseguir ser normal, medo de sofrer, medo de encarar as outras pessoas, medo de sair, medo de não ser amada, medo de morrer, medo de viver...

15 de abril de 2007

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Você quer saber como é?

Você quer saber como é? Então eu vou te contar...

Você percebe que está acima do peso. As blusas não ficam bem, as calças ficam apertadas, seus culotes saltam e sua barriga grita. Você decide fazer uma dieta. Começa aumentando saladas e frutas e diminuindo massas, doces e frituras. Mas um dia você sai da dieta, e no outro tenta compensar. Sua dieta fica cada vez mais rígida, em compensação você sai dela muitas vezes. De repente você percebe que está tentando se limitar a menos de um quarto do consumo calórico para uma pessoa normal. E percebe também, que quando perde o controle, você ingere calorias suficientes para 4 dias.

Com o tempo, você vai sentir menos fome, ou nem vai senti-la, em compensação, quando você começar a comer, nunca vai se sentir saciada. Você vai passar talvez um dia sem comer... Ou dois, três... E de repente, você vai se obrigar a comer. Não vai ser por fome, nem por vontade. Você não vai querer comer aquela comida nogenta, mas não vai conseguir se controlar. Vai se sentir obrigada. Você vai comer. Um prato de comida, dois três, pedaços de bolo, biscoitos, salgadinhos, refrigerante, batatas-fritas, chocolates... Vai comer tudo como se nunca tivesse comido na sua vida, entretanto, nada disso terá gosto. A comida nunca mais terá o mesmo gosto de antes. Ela terá gosto de obrigação e culpa ao mesmo tempo. Uma mistura amarga, com certeza. Você vai tentar parar, mas não vai conseguir, até que seu estômago começe a doer. Vai doer, vai doer tanto que você mal vai poder se mexer.

Desesperada, você irá correr até a privada, enfiar seus dedos na goela e forçar até que saia tudo. Quer dizer, primeiro serão os dedos, depois você vai precisar de algo maior... Uma cantea talvez, uma escova de dentes, e logo estará usando o cabo de uma escova de cabelo... Você vai enfiar lá dentro e masturbar sua garganta até se sentir aliviada. Vai doer, mas o alívio será maior. Vai ser nogento, mas você vai gostar, vai se entregar a essa sensação.

Depois, você vai voltar ao seu jejum. Sua barriga vai roncar, você vai sentir o ácido no seu estômago, sua cabeça vai doer e quando você se levantar as coisas ao seu redor irão girar, girar... Mas a dor é boa. E quanto mais fraca você está, mais forte você se sente. Então você continua. Até o limite. Ou até ter alguma decepção e acabar comendo pra preencher o vazio dentro do seu coração. Mas a comida não vai satisfazer sua carência, não vai acabar com sua culpa, não vai afastar seus medos. Ela não é a solução dos seus problemas. Mas você sabe que enquanto come não pensa em outras coisas, então você come, e come mais, até não aguentar, de novo... E de novo você vai vômitar, e vai se sentir aliviada... Você vai levantar tonta, e sua garganta vai doer. Você vai ver sangue saindo junto com a comida, mas talvez isso não faça diferença. Você não é mais dona da sua vida. "Ela" comeu sua alma.

Com o tempo você não vai mais saber se vômita por comer, ou se come para vômitar. Você não vai saber se deixa de comer por ser gorda, ou se você realmente está tentando se matar aos poucos. No início, tudo parecia tão maravilhoso, você sentia que estava no controle. Mas estava enganada. Nunca há como saber se outra pessoa está no controle, ou se a doença já a dominou por completo. Somente a própria pessoa pode saber, e talvez ela não saiba, porque já não é mais completamente dona de seus próprios pensamentos...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Carta da Ana

Querida leitora, permita me apresentar. Meu nome, ou como sou chamada, pelos também chamados 'doutores' é Anorexia. Anorexia Nervosa é meu nome completo, mas você pode me chamar de Ana. 
Felizmente nós podemos nos tornar grandes parceiras. No decorrer do tempo, eu vou investir muito tempo em você, e eu espero o mesmo de você.
No passado você ouviu seus professores e seus pais falarem sobre você. Diziam que você era tão madura, inteligente, e que você tem tanto potencial. E eu pergunto aonde tudo isso foi parar? Absolutamente em lugar algum! Você não é perfeita, você não tenta o bastante! Você perde muito tempo pensando e falando com amigos! Logo, esses atos não serão mais permitidos.
Seus amigos não te entendem. Eles não são verdadeiros. No passado, quando inseguramente você perguntou a eles:- estou gorda?- e eles te disseram:- não, claro que não!-você sabia que eles estavam mentindo! Apenas eu digo a verdade! E sem falar nos seus pais! Você sabe que eles te amam e se importam com você, mas uma parte é porque eles são pais, e são obrigados a isso. Eu vou te contar um segredo agora: bem no fundo, eles estão desapontados com você. A filha deles, que tinha tanto potencial, se transformou em uma gorda, lerda e sem merecimento de nada!
Mas eu vou mudar isso.
Eu espero muito de você. Você não tem permissão para comer muito. Eu vou começar devagar: diminuindo a gordura, lendo tabelas de nutrição, cortando doces e frituras, etc. Por um tempo os exercícios serão simples: corridas, talvez exercícios localizados. Nada muito sério. Talvez você perca alguns quilos, tire um pouco de gordura deste seu estômago gordo! Mas não irá demorar muito até eu te dizer que não está bom o suficiente.
Eu vou te fazer diminuir calorias consumidas e vou aumentar a carga de seus exercícios. Eu vou te forçar até o limite! Eu preciso fazer isso, pois você não pode me derrotar! Eu estarei começando a me colocar dentro de você. Logo, eu já estarei lá. Eu estarei lá quando você acordar de manhã, e correr para a balança. Os números começam a serem amigos e inimigos ao mesmo tempo, e você, em pensamento reza para que eles sejam menores do que ontem à noite. Você olha no espelho com enjoo. Você fica enjoada quando vê tanta banha nesse seu estômago, e sorri quando começam a aparecer seus ossos. E eu estou lá quando você pensa nos planos do dia: 400 kcal e 2h de exercícios. Sou eu quem está fazendo esses planos, pois agora meus pensamentos e seus pensamentos estão juntos como um só.
Eu te sigo durante o dia. Na escola, quando sua mente sente vontade, eu te dou alguma coisa para pensar! Recontar as calorias consumidas no dia. Elas são muitas. Eu vou encher sua cabeça com pensamentos sobre comida, peso e calorias. Pois agora, eu realmente estou dentro de você. Eu sou sua cabeça, seu coração e sua alma. A dor da fome, que você finge não sentir, sou eu dentro de você!
Logo, eu não vou estar te dizendo o que fazer com comida, mas o que fazer o tempo todo! Sorria e se apresente bem. Diminua esse estômago gordo, droga! Deus, você é uma vaca gorda! Quando as horas das refeições chegarem, eu vou te dizer o que fazer. Quando eu fizer um prato de alface, será como uma refeição de rei! Empurre a comida envolta! Faça uma cara de cheia... Como se você já tivesse comido! Nenhum pedacinho de nada... Se você comer, todo o controle será quebrado... E você quer isso? Ser de novo aquela vaca gorda que você era? Eu te forço a ver uma revista de modelos. Aquele corpo perfeito, magro, dentes brancos, essas modelos perfeitas te encaram pela página da revista! E eu te faço perceber que você nunca será uma delas. Você sempre será gorda, e nunca vai ser tão bonita quanto elas! Quando você olhar no espelho, eu vou distorcer sua imagem, e te mostrar uma lutadora de sumo, mas na verdade existe apenas uma criança com fome. Mas você não pode saber da verdade, pois se você souber você pode começar a comer de novo e nossa relação pode vir a cair, e me destruir!
Às vezes você vai ser rebelde. Felizmente não com muita frequência. Você vai dar força aqueles últimos pensamentos, e talvez entrar naquela cozinha escura! A porta vai se abrir devagar, você vai abrindo a porta do armário e colocando sua mão naquele pacote de biscoitos, e você vai simplesmente engoli-los, sem sentir gosto nenhum, na verdade, você faz isso pelo simples fato de que você está indo contra mim. Você procura por outra caixa de biscoitos, e outra e outra. Seu estômago está cheio de massa e gordura, mas você não vai parar ainda. E o tempo todo eu estarei gritando: quero que você pare sua vaca gorda! Você realmente não tem controle, você vai engordar!
Quando isso acabar, você vai vir desesperada para mim de novo, e me pedindo conselhos porque você não quer ficar gorda! Você quebrou uma regra, e comeu, e agora você me quer de volta. Eu vou te forçar a ir ao banheiro, ajoelhada e olhando para a privada! Seus dedos vão para dentro da sua garganta, e com uma boa quantidade de dor, a comida vai toda sair. Você vai repetir isso várias vezes, até que você cuspa sangue e água, e saiba que toda aquela comida se foi! E quando você se levantar, você vai sentir tontura. Não desmaie! Fique em pé agora mesmo! Sua vaca gorda! Você merece sentir dor!
Ahh, isso é muito duro? Você não quer que isso aconteça com você? Eu sou injusta? Eu faço coisas que apenas vão te ajudar! Eu vou fazer que seja possível parar de pensar em emoções que te causam stress. Pensamentos de raiva, tristeza, desespero e solidão podem ser anulados, pois eu vou tirar eles de você, e encher sua cabeça com contas metabólicas de calorias. Vou te tirar a vontade de sair com pessoas de sua idade, e tentar agradar todos eles. Pois agora eu sou sua única amiga, eu sou a única que você precisa agradar!
Mas nós não podemos contar a ninguém. Se você decidir o contrário, e contar como eu te faço viver, todo o inferno vai voltar! Ninguém pode descobrir, ninguém pode quebrar esta concha que eu tenho construído com você! Eu criei você, magra, perfeita, minha criança lutadora! Você é minha, e só minha! Sem mim, você é nada! Então, não me contrarie. Quando outras pessoas comentarem, ignore-os! Esqueça deles, esqueça, todos querem me fazer ir embora. Eu sou seu melhor apoio, e pretendo continuar assim.

Com sinceridade,
Ana

A Quem Pretende Nos Julgar...


Este texto foi escrito por mim, em 18 de novembro de 2007, em resposta a um Anônimo no Orkut que decidiu, não sei por qual razão, entrar em uma comunidade sobre Anorexia e Bulímia e ofender as pessoas que sofrem com estes transtornos (sim, eu disse "transtornos", e não "estilos de vida").

Querido Anônimo... O que você estava fazendo naquela comunidade? Tentando ajudar pessoas doentes? Pois saiba que não é com as palavras rudes que você usa que vai conseguir alguma coisa... Ou você simplesmente estava querendo ofender pessoas que estão sofrendo?

Eu, com toda a minha insensibilidade de às vezes decidir não comer, ainda não entendo como um ser humano pode ser tão insensível a ponto de ofender pessoas doentes de graça...

Sim, eu tenho bulímia, sim meu IMC é bem normal (22,50), sim, eu faço tratamento com psicóloga, homeopata, psiquiatra... Também já fiz acupuntura e tratamento com florais...

Você disse: "Se vocês gostam da vida ..." E se eu não gosto da vida? E se eu quero acabar com ela? Eu não quero ser magra para ser bonita! Eu odeio Barbies! Eu só não tive coragem de cortar meus pulsos... E como eu não consegui cortar meus pulsos... Então eu decidi me matar de algum outro jeito... Porque "patricinhas"? Acaso você conheçe minha condição financeira? Claro que não, ou saberia que moro em uma casa de madeira que tem mais de 30 anos e foi feita com madeira usada que já tinha muito cupim... Isso é ser patricinha? Você por acaso sabe o que é ter problemas na vida pessoal? Por que você ofende essas garotas, sem nem saber o que passam? Você já sabe, por acaso, o sofrimento de cada uma de nós, o abandono da família, o preconceito social, o abuso sexual que sofreram, talvez até dos próprios pais? E sabe onde foi parar todo esse sofrimento? NA PRIVADA, PORQUE CHORAR NÃO FOI O SUFICIENTE PARA ESVAZIAR-SE DA TRISTEZA! Você, por acaso já conversou com algum especialista da área para saber o que ocasiona essas doenças??? Fique sabendo que não é a pura vaidade, que todos dizem... Tem muito mais do que isso...

Queremos ser puras, limpas por dentro... Queremos nos purgar de todo esse mal, de toda essa tristeza, essa infelicidade, essa angúsita, essa ansiedade, essa culpa, esse medo, esse remorso...Você sabe o que é sentir-se desesperado ao último?
Querer acabar com a própria vida? Sentir-se a pior das pessoas, a mais insignificante criatura? Você sabe o que é ir se confessar com sua mãe, dizer que vômita depois que come e ela responder "Todas as adolescentes são meio paranóicas"? Ou então apanhar por sentir-se sujo (chama-se Transtorno Obsessivo Compulsivo, um eventual companheiro da Anorexia e da Bulimia)...Você acha que nós não sabemos das consequências? Que não sentimos dor? Que não temos consciência de estarmos destruindo nossas vidas, nos matando a cada dia que passa? Mas não nos importamos... De qua adianta viver infeliz? Nós preferimos buscar a felicidade em algum lugar que sabemos que jamais iremos encontrá-la, pois pelo menos asim, teremos o prazer de buscá-la, a esperança de encontrá-la... Preferimos isso, do que desistir de sermos felizes em nossas vidas miseráveis...

Você também foi na comunidade dos Alcólicos Anônimos ofendê-los, ou então nos grupos de drogados? É a mesma coisa... Pessoas com problemas, tentando fugir deles... Eu assumo, fracassei... Errei, porque eu deveria saber enfrentar os problemas de frente, e assim eu tento a cada dia... E esse fracasso me dá ainda mais vontade de morrer... E o meu consolo, eu encontro na comida, até parece que ela vai suprir minha carência, preencher o vazio que existe na minha alma... Mas depois que eu me encho de comida... Bem, aí este bolo no meu estômago, realmente, não é mais comida, são lágrimas de dor, e eu preciso colocá-las para fora...Acaso você pensa que a vida real é igual à novela das oito ?Pensa que não sabemos das consequências, que não sentimos dor? Conheci garotas, que colocavam a comida em algum pote e íam levar para um mendigo por aí... É isso que você chama de egoísmo? Sabia que Anorexia e Bulímia não surgiram depois que o padrão de beleza se tornou a magreza extrema das Barbie's?

NÃO!!! A Anorexia e a Bulímia são doenças muuuuuuito antigas que agora são mascaradas com esse caráter da vaidade, mas ANTES, há muitos anos atrás, eram mascaradas com caráter religioso. Você, por acaso, nunca ouviu falar, de pessoas que morreram tentando fazer jejum para serem purificadas? É assim que eu quero... Ser pura, e voar para longe deste mundo onde há tanta dor e sofrimento...